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Muricy: "Nosso desafio é não sair da ponta"
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( · 05/08/09)  
Em meio a anotações sobre rivais, pranchetas e em frente a uma grande TV onde analisa vídeos, Muricy participou do programa Papo com Benja, do colunista Benjamin Back, e depois atendeu à reportagem do LNET!, nesta terça-feira à tarde.

Ele falou da saída do São Paulo, futuro, reforços, proposta por Pierre, confirmou que indicou Fernandão e se animou com a fase do Verdão.

– O Palmeiras está jogando um futebol que ganha Brasileiro, um futebol regular – afirmou Muricy.

Não que isso signifique o penta, afinal, o caminho ainda é longo, alerta o novo técnico. Mas ele está feliz. E até bateu no braço:

– Aqui é Palmeiras, meu filho!!!

Confira parte da entrevista com o técnico:

L!: Você assumiu a ponta três vezes com o São Paulo e não largou até o título. Agora, é líder. Isso é usado para convencer os atletas?

MR: É um argumento que você tem para os seus jogadores. É um desafio para eles. Você pode colocar na cabeça deles. No campeonato, você tem de criar desafios e um dos desafios nossos, que eles levam a sério, é que cada jogo é uma decisão. O desafio é a permanência em primeiro lugar. A briga é muito grande para isso e os jogadores estão comprando essa ideia. Isso é importante.

L!: O título do turno é um desses desafios que você estipula?

MR: Estar em primeiro muda muita coisa. É um lugar onde você já está perto do título, já sente o gosto de alguma coisa. Você tem de brigar para permanecer ali, você não pode mais querer outra coisa. É importante os jogadores saberem disso. Eles falam disso nas conversas antes de entrar em campo. Temos de nos manter em primeiro e os jogadores estão acreditando nisso.

L!: Você já arrancou em 2008 com o São Paulo. Hoje, ver eles, que são rivais, se recuperando assusta?

MR: Não é assustar. Mas é um time forte, é o melhor plantel do Brasil. Toda vez que sai da Libertadores, o time sente. Como sentiu. Agora estão recuperando porque o time é muito bom, um plantel de respeito. Mas segue tudo igual lá: jogador da base não joga, atleta improvisado...

L!: Alguns jogadores, como Hugo e Dagoberto, falaram que as coisas melhoraram. Você ficou triste?

MR: Eu estava em casa, buscando uma música no rádio e ouvi o Dagoberto. Ele foi meu parceiro, me ajudou demais e nunca me ofendeu, mesmo quando eu o tirava do time. Eu ouvi o que falou, não vi nada demais. Ele deu a opinião que a diretoria trocou bem, foi bem correto. Foi inteligente e não foi agressivo. São meus parceiros, jogadores que me ajudaram. O Hugo se perdeu um pouco. Eu segurei a bronca dele, tinha pressão forte para tirá-lo. Mas ele é uma boa pessoa, às vezes o cara fica acuado diante do microfone. Ele não é mala, é decente.

L!: A saída do rival foi traumática?

MR: Foi uma surpresa, mas era um direito do clube. Eu estava em casa e fui chamado. Nós falamos muito rápido, não sou de alongar. Acertou rápido, não foi tão doído. Eu não gosto de sair dos lugares assim. Fiquei triste, porque quero dar retorno. Não sai em uma situação boa. Não gostaria de ter saído assim.

L!: O João Paulo de Jesus Lopes (diretor de futebol do São Paulo) e Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco (vice) não gostam de você?

MR: Não sei. Quem manda é o Juvenal (Juvêncio, presidente). Mas acho que era um pouco de exagero das outras pessoas que falam do João e do Leco. Eu sou sincero. Eles me tratavam bem. Eles nunca fizeram pressão em mim, não me tratavam mal. Mas é que eu não fico pegado nas pessoas, sair para jantar...

L!: O seu anti-marketing também não é uma forma de marketing?

MR: Não é planejado, sou assim. Eu nunca mudei. Marketing não é crime, mas não gosto de ir à televisão toda hora. Dou coletiva porque é obrigado, ainda bem que no Palmeiras é uma vez por semana. Eu não trabalho para pessoas e sim para o clube. Mas isso esbarra em vaidade, nos negócios de pessoas... Tem muita coisa perigosa no futebol.

L!: O Juvenal escalava time?

MR: Não. Até porque ele tem uma dificuldade para saber quem é cada jogador. Tem jogador que ele não conhece, o Juvenal não é muito de ficar vendo TV. Se fosse assim, a base toda estava jogando hoje. Mas segue sem jogar no São Paulo, porque são meninos. Tem de ter calma.

L!: Você sente hoje que a diretoria do Palmeiras é mais unida?

MR: Não posso falar isso, porque ai vou falar da outra. Posso dizer que os caras são corretos para caramba, conversam, são decentes. São pessoas boas. Eu sai do São Paulo e não falei nada contra ninguém. Tive muitos parceiros no São Paulo. Não tenho nada para falar contra.

L!: Você criticou o Cuca por ter ligado para o Juvenal quando estava empregado. Já falou com o Cuca?

MR: Ele me ligou. Eu não atendi no começo, mas depois atendi. Eu disse que não falei nada demais, só o que aconteceu. Ele falou que não foi por maldade e disse que liga para os presidentes de clube por ser amigo, mas eu falei que isso é muito perigoso. Eu fiquei bravo aquele dia. Eu não entro em dividida de graça, conversei com o Cuca. Só acho que ele tinha de maneirar, não é legal telefonar para outros presidentes.

L!: Voltando ao Palmeiras, você sentiu frio na barriga na estreia?

MR: Foi muito legal. Sempre dá um friozinho. Eles me receberam bem, antes e depois do jogo (contra o Fluminense, na semana passada). Eu tenho essa facilidade, os torcedores me tratam bem. É importante. A opinião da torcida é importante, é a torcida que manda no clube. Eu procurei ver em pesquisas, se eram favoráveis e eles mostraram isso. Quando isso acontece, eu fico muito tempo. Vou trabalhar duro para caramba. Vou dar retorno a eles.

L!: Em quanto o Palestra pode ser importante na luta pelo título?

MR: É aconchegante. Ajuda muito. É tudo muito perto, o barulho é muito grande e quando o barulho é a favor, faz diferença. Isso ajuda e o time gosta da torcida, gosta de jogar no Palestra. Peço para o torcedor apoiar, ajudar, como foi contra o Fluminense. O jogo foi duro e a torcida ficou ali o tempo todo incentivando. Esse campeonato se ganha assim. É pedreira.

L!: Foi uma surpresa o Fernandão acertar contrato com o Goiás?

MR: Surpreendeu, porque ele era um pedido nosso no Palmeiras. Eu conversei com ele algumas vezes. Mas o que me parece é que foi um problema familiar, o Fernandão queria ficar com a família. Temos de respeitar. A gente achou que outros clubes iriam brigar com a gente, mas o Goiás foi surpresa.

L!: Podem vir mais reforços?

MR: O Palmeiras hoje é o alvo, os caras querem jogadores do Palmeiras. Também estamos nos mexendo. Temos um bom time, mas... É bobagem falar em nomes, porque as coisas são concorridas.

L!: O Luxemburgo reclamou que perdeu o zagueiro Gil (ex-Atlético-GO) para o Cruzeiro, né...

MR: A gente também queria (risos). Futebol é assim, meu filho, tem de estar ligado, tentando as coisas...

L!: Você já conversou com o Pierre? Afinal de contas, ele vai ficar?

MR: Ele está conversando com a diretoria. O jogador tem de ficar à vontade para se decidir. O que eu fiz foi pedir para a diretoria fazer um esforço e eles estão imbuídos em melhorar as coisas para o Pierre. Os caras aqui estão atentos.

L!: O esquema de jogo vai mudar para pegar o Grêmio?

MR: Eu mudei em Recife, porque os alas do Sport iriam arrebentar com a gente. Eu bati esquema com esquema, nosso time é melhor e iria ganhar. Falei isso no vestiário. Em uma jogada a gente iria definir o jogo. Agora, pode ser que mude. O Palmeiras agora é alvo, tem de fazer algumas mudanças.



Lance!
 
postado por: Julio  
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